domingo, 2 de dezembro de 2007

Profunda

Lá fora a chuva caía destilando meus pensamentos melancólicos. E a tarde evasiva tardava cair. O quintal permanecia encharcado e as folhas das árvores repercutiam um som misterioso com o pingar das águas, as folhas caídas daquele outono estranhamente atravessado, como minha vida insalubre.
Tua destreza delicada e maliciosa ao falar-me de amor. Amor de cegos e surdos. Amor inútil. Ou amor ncessário.
Rio que marcava a presença de correntezas desbotadas, lacrimadas, infelizes. A tarde custava ir embora. E eu não podia manter minha máscara de criança feliz por toda tarde e noite. Eu queria revelar meus segredos mais absurdos e olhar pra ti com carência, porém, meu intuito mais ágil desprezou tua maneira de sorrir com prazer. E mais uma vez minha calma afugentou-se. Agora a chuva era mais forte, até parecia estar de acordo com os meus preceitos utópicos e mártires. Ardentemente, fui despedindo-me da suave balada com gosto de amargo, mas que fazia algum sentido.
E a lembrança de loucura de amores noturnos que faziam-me sedenta por encanto perdeu-se, matou a essência de querer sentir o semblante aveludado de ti. Lá se foi os distantes instantes mais ávidos de minha existência e minha morada parecia estranha penumbra. Meu leito, mais encharcado de suor que o quintal de água, começa a devorar-me para si, fazendo-me lutar contra ele. A janela aberta me fez recordar os dias de ternura que, com euforia, jogavas rosas espinhosas, que me faziam tardar voltar em casa.
Sedenta de amnésia torno-me hoje. Prefiro com loucura internar-me a continuar nessa busca infinda de paz e sossego, já que a "vila do sossego" penetrou mais profunda o meu despejo. E todos os meros enganos foram reais, desde aquele carnaval, latejando, assim, minha experiência em sentir mais uma vez a tão sonhada bem-querença.
Sophia Fidélis, 01 de Dez., 22:41

2 comentários:

Maria Helena disse...

Me vejo assim quando minha loucura de estar apaixonada acabar.
Não lute contra o leito...nessas horas, ele é seu único e mais confiável amigo.

Beijos.
M.H

Barbie Destrossada disse...

E completando o comentário de Maria,digo a minha cara Sophia:
Nessas de mergulho do ser em lembranças que não voltam,o leito te chamará.
Ao menos por um dia não recuse o chamado do leito.E se,além do suor, ele quiser as lágrimas não tenho medo.É[será] um dos raros momentos que podemos tirar nossa Persona e só enfim todos nós dizemos: Eu sou.